CRÔNICA DE EDUCAÇÃO
EBA! PIZZA!
Depois que a última criança guardou sua mochila na estante, a professora chamou os alunos para formar a costumeira rodinha de conversa de todos os dias. De pé, todos se deram as mãos e, logo em seguida, as soltaram; somente um e outro se mantiveram de mãos dadas. Um menininho bem raquítico lambeu os dedos gordinhos da coleguinha que estava do seu lado.
- Não faça isso! A mão dela não é um doce! – admoestou a professora, ajeitando os óculos novos, que lhe davam um ar jovial. Logo, por causa da falação das crianças, teve que altear a voz:
- Gente! Atenção! Vamos cantar uma musiquinha?!
Cantaram, não uma, porém, quatro cantigas de roda. Todos participaram alegremente, fizeram um rápido alongamento e, depois, sentaram-se no chão.
- Tiiia! A senhora não vai perguntar? – indagou dela uma menina com roupas bem coloridas, puxando-a pela calça e dando-lhe tapas da barriga.
Tentando segurar as mãos da criança, a educadora respondeu:
- Já vou! – e exigiu – Mas, antes, tudo mundo faz perninhas de índio.
Depois, prendeu os cabelos num rabo-de-cavalo e indagou:
- O que vocês fizeram no final da semana? Quem vai contar primeiro para os outros?
A menina mais falante da sala gritou:
- Eu fui ao circo e tinha um homem falando no microfone. Tiiia! Eu comi pipoca.
A professora bateu palmas para impor ordem; todos queriam falar ao mesmo tempo.
- Olha, Tia! – começou um menino – Meu cachorro tomou banho, que ele tava cheio de carrapato. Eu matei tudo com o dedo.
A professora arregalou os olhos e tentou fingir surpresa e disfarçar o nojo que sentiu, imaginando os carrapatos esmagados.
E a conversa continuou
- Sabe, Tia, eu comi pizza.
Dessa vez , a professora se interessou mais e prestou atenção a uma aluninha de vestido puído, cabelos desgrenhados e uma enorme janela na boca.
- Nossa! Que gostoso! Você comeu pizza no restaurante?
Não. Comi lá em casa mesmo. Ela tava inteirinha e enrolada num plástico.
- E o que tinha na pizza? – a professora inclinou-se para a frente para ouvir melhor.
- Hum... tomate... queijo...
A menina lambia os beiços enquanto falava.
- Mas você foi ao supermercado com o seu pai para comprar a pizza? – perguntou, sorrindo, a inocente professora.
- Não. Ele achou... – respondeu a menina, devolvendo o sorriso.
Neste momento, a professora desfez o semblante alegre e encheu-se de curiosidade.
- Achooou? Mas onde ele achou?
A menina arreganhou bem a boca e feliz da vida por ter comido uma pizza gostosa, respondeu:
- No lixão, lá perto de casa.
DIOGO VEIGA
EBA! PIZZA!
Depois que a última criança guardou sua mochila na estante, a professora chamou os alunos para formar a costumeira rodinha de conversa de todos os dias. De pé, todos se deram as mãos e, logo em seguida, as soltaram; somente um e outro se mantiveram de mãos dadas. Um menininho bem raquítico lambeu os dedos gordinhos da coleguinha que estava do seu lado.
- Não faça isso! A mão dela não é um doce! – admoestou a professora, ajeitando os óculos novos, que lhe davam um ar jovial. Logo, por causa da falação das crianças, teve que altear a voz:
- Gente! Atenção! Vamos cantar uma musiquinha?!
Cantaram, não uma, porém, quatro cantigas de roda. Todos participaram alegremente, fizeram um rápido alongamento e, depois, sentaram-se no chão.
- Tiiia! A senhora não vai perguntar? – indagou dela uma menina com roupas bem coloridas, puxando-a pela calça e dando-lhe tapas da barriga.
Tentando segurar as mãos da criança, a educadora respondeu:
- Já vou! – e exigiu – Mas, antes, tudo mundo faz perninhas de índio.
Depois, prendeu os cabelos num rabo-de-cavalo e indagou:
- O que vocês fizeram no final da semana? Quem vai contar primeiro para os outros?
A menina mais falante da sala gritou:
- Eu fui ao circo e tinha um homem falando no microfone. Tiiia! Eu comi pipoca.
A professora bateu palmas para impor ordem; todos queriam falar ao mesmo tempo.
- Olha, Tia! – começou um menino – Meu cachorro tomou banho, que ele tava cheio de carrapato. Eu matei tudo com o dedo.
A professora arregalou os olhos e tentou fingir surpresa e disfarçar o nojo que sentiu, imaginando os carrapatos esmagados.
E a conversa continuou
- Sabe, Tia, eu comi pizza.
Dessa vez , a professora se interessou mais e prestou atenção a uma aluninha de vestido puído, cabelos desgrenhados e uma enorme janela na boca.
- Nossa! Que gostoso! Você comeu pizza no restaurante?
Não. Comi lá em casa mesmo. Ela tava inteirinha e enrolada num plástico.
- E o que tinha na pizza? – a professora inclinou-se para a frente para ouvir melhor.
- Hum... tomate... queijo...
A menina lambia os beiços enquanto falava.
- Mas você foi ao supermercado com o seu pai para comprar a pizza? – perguntou, sorrindo, a inocente professora.
- Não. Ele achou... – respondeu a menina, devolvendo o sorriso.
Neste momento, a professora desfez o semblante alegre e encheu-se de curiosidade.
- Achooou? Mas onde ele achou?
A menina arreganhou bem a boca e feliz da vida por ter comido uma pizza gostosa, respondeu:
- No lixão, lá perto de casa.
DIOGO VEIGA
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